
A forma “chama-me” ou “chamas-me” gera uma hesitação frequente, inclusive entre redatores experientes. O verbo chamar, com sua duplicação de consoante variável e sua conjugação no imperativo, concentra várias armadilhas ortográficas em uma única expressão. Comparar as duas grafias permite decidir rapidamente e entender o mecanismo gramatical subjacente.
Imperativo do verbo chamar: tabela das formas corretas
O ponto de fricção reside na confusão entre o indicativo presente (“tu chamas”) e o imperativo presente (“chama”). No indicativo, a segunda pessoa do singular leva um -s. No imperativo, os verbos do primeiro grupo perdem esse -s. O verbo chamar não é exceção.
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| Modo | Pessoa | Forma | Exemplo |
|---|---|---|---|
| Indicativo presente | tu | chamas | Tu chamas-me esta noite. |
| Impérativo presente | 2ᵉ pers. sing. | chama | Chama-me esta noite. |
| Impérativo presente | 1ʳᵉ pers. plur. | chamemos | Chamemos um táxi. |
| Impérativo presente | 2ᵉ pers. plur. | chamem | Chamem-me amanhã. |
A linha que conta é a segunda: chama sem -s é a única forma correta no imperativo. O hífen também é obrigatório antes do pronome complemento “me”.
Para lembrar a dica para escrever corretamente chama-me, basta aplicar a regra geral: um verbo em -ar conjugado no imperativo da segunda pessoa do singular termina em -a, nunca em -as.
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Duplicação do “l” em chamar: a regra ortográfica a conhecer
A hesitação sobre o -s muitas vezes esconde uma segunda questão: por que dois “l” quando o infinitivo tem apenas um? O verbo chamar duplica sua consoante diante de uma sílaba muda. Quando a terminação se pronuncia (chamar, chamamos, chamam), um único “l” é suficiente. Quando não se pronuncia (chama, chamam), o “l” se duplica.
Esse mecanismo se encontra em outros verbos do mesmo grupo: renovar, soletrar, vacilar. As obras de referência como o Bescherelle usam precisamente “chama-me” para ilustrar essa alternância, pois ela acumula duas dificuldades em uma única palavra.
Verificar a sílaba final
- Se a terminação é muda (-a, -am), o “l” se duplica: “ele chama”, “elas chamam”, “chama-me”.
- Se a terminação se pronuncia (-ar, -amos, -ais), o “l” permanece simples: “chamar”, “nós chamamos”, “vocês chamam”.
- O hífen entre o verbo e o pronome complemento não altera a duplicação: “chama-me” mantém seus dois “l” como “ele chama”.
Essa lógica fonética torna a regra previsível. Pronunciar a palavra em voz alta dá uma indicação confiável sobre o número de consoantes.
Erros comuns com “chama-me” e como evitá-los
A forma errada “chamas-me” continua a ser comum em mensagens curtas, SMS e publicações em redes sociais. As análises de corpus de francês escrito online mostram, no entanto, uma queda da forma errada desde meados dos anos 2010, correlacionada à generalização dos corretores automáticos integrados às plataformas.
Ferramentas como Antidote, Le Robert Correcteur ou LanguageTool agora sinalizam esse erro em tempo real. Sua adoção massiva em ambientes profissionais (suporte ao cliente, gestão de comunidades, redação web) contribuiu para reduzir a frequência do erro nos textos publicados.
Três confusões frequentes a desatar
A primeira confusão vem do reflexo “tu = -s”. No indicativo, isso é verdade. No imperativo dos verbos em -ar, é falso. O imperativo não é um indicativo sem sujeito, é um modo à parte com suas próprias terminações.
A segunda erro diz respeito ao esquecimento do hífen. “Chama me” sem hífen está incorreto. O pronome pessoal complemento se liga ao verbo por um hífen no imperativo afirmativo.
A terceira diz respeito à forma negativa. No imperativo negativo, o pronome volta à frente do verbo e o hífen desaparece: “Não me chames”. A estrutura muda, mas a terminação permanece idêntica, sem -s.
Exercício rápido para ancorar a regra de conjugação
Testar a compreensão em algumas frases permite verificar se o mecanismo foi assimilado. Aqui estão quatro enunciados para corrigir mentalmente:
- “Chamas-me antes do meio-dia” – falso, a forma correta é “Chama-me antes do meio-dia”.
- “Tu chamas-me quando quiseres” – falso, o indicativo exige “Tu chamas”.
- “Não me chames este fim de semana” – falso, mesmo na forma negativa o imperativo dá “Não me chames”.
- “Lembra-me do teu número” – correto, o prefixo “re-” não modifica a terminação do imperativo.
O último exemplo mostra que a regra se aplica a todos os derivados do verbo chamar: relembrar, interpelar (que segue um modelo ligeiramente diferente, mas mantém a mesma lógica no imperativo).

Os guias de redação profissional recentes integram “chama-me” em suas listas de formas a dominar, ao lado de “envia-me” ou “fala-me”. A regularidade da regra dos verbos em -ar no imperativo torna esses casos previsíveis uma vez que o princípio é compreendido. Um único reflexo é suficiente: verbo em -ar, imperativo, sem -s.